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Pagodeiros formaram costumes e opinião da geração 90, diz Salgadinho

Vinte anos depois de o pagode romântico com sotaque paulista virar fenômeno pop brasileiro, três antigos ídolos unem forças ao vivo no Amigos do Pagode 90. O projeto indica que o estilo está completando o ciclo da música pop que parte do sucesso, passa por período em baixa e retorna em revival. O grupo junta Chrigor, ex-Exaltasamba, Salgadinho, ex-Katinguelê, e Márcio Art, ex-Art-Popular.

O repertório saudosista é baseado em músicas dos três grupos que revelaram os cantores. Os Amigos do Pagode 90 cantam nesta sexta-feira (14), no Cabral, em São Paulo.

Salgadinho não é modesto ao reavaliar a trajetória dos antigos grupos de pagode. “Conseguimos ser formadores de costumes e de opinião de uma geração. As pessoas se identificavam com a nossa forma de fazer as coisas", diz o autor de "Inaraí". “O povo pegou essa música da periferia de São Paulo e levou para o sucesso. É como o funk hoje", compara. 

Conciliação com roqueiros
O ex-Katinguelê cita regravações de sucessos do Raça Negra, feitas por bandas de rock e indie pop atuais, como sinal de reconhecimento ao estilo. “O público continua buscando a nossa música dos anos 90. Passamos a ter mais credibilidade. Na época, as rádios queriam ganhar dinheiro com pagode, era uma linha de produção. Era dinheiro na certa. Não tinha espaço para rock, nem mesmo o sertanejo. Tinha uma rivalidade. Mas hoje os caras estão gravando samba. Acho legal, quer dizer que a gente estava no caminho certo.”

Evangélico, Salgadinho chegou a trabalhar como diretor artístico de uma gravadora gospel após sair do Katinguelê. A gravadora fechou, mas ele diz que experiência o ajudou a ter uma visão mais completa do mercado, que já o incomodou com a pressão pelo sucesso. “O pagode se tornou um produto bem comercial nos anos 90. Foi um preço que paguei no começo da carreira", diz. Para ele, os executivos ignoravam particularidades dos grupos e "invadiam o espaço musical dos compositores da época".

Cabelos e economia
Salgadinho reivindica para o pagode o pioneirismo em estilo capilar e até um impulso no consumo e economia da época.“Vejo gente de 30, 40 anos, que diz que a trilha sonora da vida deles era a nossa música. E na periferia, a gente influenciava o jeito de se vestir. Até de deixar o cabelo careca. O que o Ronaldo Fenômeno fez com o cabelo, eu fiz primeiro", reclama.

O impulso ao consumo nos anos 90 também é um legado positivo do pagode, para Salgadinho. "As pessoas das classes C e D passaram a consumir nossa vestimenta. Aumentou a autoestima. Ajudamos na economia também, 0,1% que seja, mas ajudamos. O povo da periferia empurrou a cultura para fora. O fato de terem surgido alguns grupos de pagode em 2000 de classe A e B, para a gente é a coisa mais linda. A música não tem dono, não tem nascedouro", filosofa o músico.

Conquistas para o samba
O pagode romântico paulista dos anos 90 representou, na visão do músico, conquistas para o samba brasileiro em termos de produção. “A gente conseguiu conquistar coisas de espetáculo que o samba não tinha. São muitos instrumentos acústicos no gênero. A engenharia de som não é tão simples quanto teclado e guitarra. Não que a gente quisesse ser maior que ninguém, mas queria ter o valor de qualquer artista internacional ou do Brasil.”

Os Amigos do Pagode 90 já receberam propostas de três grandes gravadoras para lançar CD e DVD, segundo o músico. A prioridade, no entanto, é "se divertir" no palco. “A demanda de shows quando a gente começou a ficar famoso era muito grande. Mas nem tudo que fazemos é pelo dinheiro. Eu acho que nosso norte hoje é se divertir. Rola uma segurança de ter dois baitas cantores do seu lado. E o público empurrando para caramba. Tem proposta para um ano e meio, dois anos de shows", garante.